Redução de ruído de um servidor 1U – part 2 (Fonte de alimentação)

O primeiro elemento de ruído que vou atacar é a proveniente da fonte de alimentação. A fonte é de 250W, com forma própria para caixas 1U. 250W pode parecer pouco para os standards comuns de hoje, mas considerando os poucos elementos envolvidos, não é problemático. O maior consumidor de energia é sem dúvida o processador que nos Pentium 4 rondam uns incríveis 110W. Fora disso, há o cooler (blower no caso deste server) e os dois discos. O server não tem nenhum leitor óptico, nem placas PCI, nem uma placa gráfica dedicada.

O ruído da fonte é bastante elevado, incrivelmente. Provem das duas ventoinhas de 40mm que estão no chassis da fonte – um para entrada de ar e um para saída. ventoinhas pequenas significam mais rotações para obter o mesmo fluxo de ar. Mais rotações significam ruído elevado. Não tenho como medir, mas imagino que o ruído da fonte ronde os 30-40db, o que é bastante incómodo.

Soluções?

  • – substituir a fonte por um menos ruidoso ou até sem ventilação (solução passiva).
  • – substituir as ventoinhas na fonte por ventoinhas reconhecidamente menos ruidosas
  • – utilizar uma outra fonte, mesmo que não seja adequado
  • fonte silenciosa

    Existem séries de fontes para 1U que tem em conta o problema do ruído. A Seasonic tem fontes 1U com baixo nível de ruído (25db), mas além da dificuldade em encontrar na Europa, o preço não é muito convidativo – rondam os 100 dolares. Outras fontes um 1U, mais ruidosas, rondam os 80 euros (mais portes). A substituição da fonte é uma possibilidade, mas não é a primeira escolha, de facto.

    Substituição das ventoinhas de 40mm

    fonte 1U com 2 ventoinhas de 40mm

    fonte 1U com 2 ventoinhas de 40mm

    A fonte tem 2 ventoinhas nos extremos, que provocam o fluxo de ar no interior da fonte que é bastante preenchido. Felizmente, os fios das ventoinhas são ligados com conectores em vez de estarem soldados ao circuito impresso, o que facilitara a tentativa de substituição. Penso que será uma solução válida, desde que haja redução do ruído das ventoinhas, sem afectar gravemente a temperatura na fonte, e portanto, do interior da caixa. Ventoinhas de 40mm são baratas, portanto não deve ser problemático. Resta testar. Mas antes disso, a terceira possibilidade:

    Substituir por uma fonte “normal”

    Este ponto tem uma vantagem clara: Fontes de PC normais são baratas e silenciosas. Têm espaço para arrefecer, ventoinhas maiores e menos ruidosas, e o mesmo tipo de conexão. O problema é que não cabem na caixa 1U – tem de ficar do lado de fora. Para fixar no bastidor, a fonte terá de ficar “pendurado” com o auxilio de outro elemento, o que n será bom ou até possível para fixar e remover do bastidor, ou terá de ficar pousado sobre a caixa e com um intervalo que permita encaixar no bastidor. Eu testei esta solução, sem qualquer problema, com uma fonte de 300W. Removida a fonte antiga, bastou passar os cabos para dentro da caixa pelo buraco da interface, ligar os conectores à board e aos discos, et voilá, fonte silenciosa ligada à caixa. No meu caso, a fonte até é de 20 pinos, em vez dos 24 pinos, mas é possível ligar na mesma. Simplesmente é necessário ligar o conector de 4 pins extra, também à board, na tomada própria.

    Para melhorar, há uma solução que penso que é viável, barato, mas que exigirá um pequeno esforço. A ideia é estender os cabos de 20/24 pinos da fonte. O ideal é mesmo que na caixa seja fixa uma interface para ligar o conector de 2o/24 pinos, fichas dos discos, e o de 4 pins (caso necessário).esta tomada de interface ligará desde a interface aos dispositivos internos; depois a fonte pode ser conectado à interface, sem ter que estar fisicamente dependente da caixa do servidor – poderei por a fonte na base do bastidor, pendura-lo num suporte do bastidor, etc. Acho uma ideia interessante e viável.

    Fonte normal ligado ao server pelo exterior

    Fonte normal ligado ao server pelo exterior

    Já agora, e para que seja minimamente perceptível a diferença de nível de som das fontes, veja o vídeo – o primeiro é o de 1U, e o segundo de um PC normal; ambos forma gravados com musica de fundo ao mesmo nível sonoro.

    Resta agora o processo de cooling do processador!

  • Redução de ruído de um servidor 1U – part 1 (Intro)

    Recentemente adquiri um novo servidor. Decidi alojar a minha página localmente, substituindo o serviço de hosting que era suportado externamente há 4 anos. A página não tem um peso de movimento que justifique o custo do alojamento externo, e tendo internamente, posso explorar melhor a administração do server Linux.

    Há, no entanto, um problema. Contextualizando, tenho um server em Windows (com processador quad-core e vários discos em RAID), que uso internamente – backups, desenvolvimento, repositório, etc. Tenho-o numa caixa 4U de rack, e montado num bastidor D.I.Y.. Não é um bastidor perfeito, mas para o que necessito no momento, serve. Futuramente comprarei um em metal quando encontrar um a bom preço e quando for financeiramente viável. O server está montado no espaço de trabalho, e felizmente é bastante silencioso. O som das ventoinhas (do painel frontal, fonte, e saída) e dos motores dos discos são audíveis, mas bastante baixo. Não é incómodo. Um pouco de musica na sala, mesmo baixo, resolve completamente. Nunca medi, mas imagino que pelas características das ventoinhas, o nível não ultrapassa os 20dB.

    Inicialmente, a minha opção de server web era a recuperação de um PC que já não utilizava a correr um Ubunto com LAMP instalado. O PC era uma board simples com um Athlon XP2000, um disco IDE de 80Gb e 2Gb de RAM. Instalei tudo lá, (rapidamente) e estava tudo ok. Também, pouco ou nada audível. O meu problema com esta configuração era a falta de uma caixa. Entra o primeiro dos dilemas…

    Bastidor D.I.Y com server em caixa e server aberto montado

    Bastidor D.I.Y com server em caixa e server aberto montado

    A primeira opção era comprar mais uma caixa 4U, o que implicaria um investimento de 100€, aproximadamente. A caixa que comprei para o server Windows foi um 4U / 19″ da CodeGen, na Inforlândia. É uma caixa que procurava há algum tempo, e estou bastante satisfeito. Tenho os 4 discos bem posicionados e ventilados, e há espaço para instalar tudo correctamente e convenientemente.

    A outra opção era adquirir um server usado num anuncio que encontrei. O server é proveniente de um datacenter no Algarve e era um P4 a 3Ghz, com 2Gb de RAM, 2 discos de 160Gb, duas portas de rede Ethernet gigabit e tudo isto numa caixa 1U. por 100€ + IVA + portes.. (150€, portanto). Como devem imaginar, esta ultima opção, tendo em conta as características e o facto de ter a caixa 1U, para colocar no bastidor, aliciou-me bastante. E foi esta opção que escolhi.

    Novo servidor P4 em caixa 1U. Denote o "blower" no centro.

    A verdade é que está tudo ok com a máquina encomendada. Entrega rápida, óptimas condições. Há é um problema que não imaginava, e deve-se muito ao facto de nuinca ter trabalhado com materiais de bastidor, directamente. 1U é sinónimo de pouco espaço e portanto desafios de controlo de temperatura importantes. Processadores P4 (especialmente a serie Prescott) são bem conhecidos pelo consumo de energia e a consequente aumento de temperatura. Temperatura que tem de ser combatida com dissipadores e ventoinhas. Dado o perfil baixo da caixa, ventoinhas de 40mm e “blowers” são comuns. E porque são pequenos, tem geralmente de rodar rápido. E porque rodam rápido, fazem uma barulheira infernal. Sério! Num datacenter, imagino que não seja problemático já que as máquinas podem ser isoladas numa sala. Mas aqui no escritório, simplesmente não é possível. O barulho é incapacitante, e imagino que a longo prazo criaria problemas de audição. Seria o mesmo que ter um aspirador a trabalhar 24/7. Muito barulho.

    Restam duas opções, então.

    1. volto à primeira solução: adquiro uma caixa 4U, instalo o hardware velho, ou o novo na caixa, e esqueço o assunto.
    2. procuro uma maneira de silenciar o bicho e fico satisfeito com o trabalho realizado (e a história que fica para contar aos poucos interessados)

    Vou para a segunda opção. Tenho que solucionar o problema do ruído, minimizando-o tanto quanto possível, com investindo o mínimo possível. Também quero uma solução não destrutiva – não quero abrir buracos na caixa, nem nada desse género. Já identifiquei os pontos de ruído. São eles a fonte e o blower central, e são estes os problemas a resolver. O som dos discos é mínimo e não apresentam qualquer problema.

    Vou dividir a solução que encontrar em vários posts, mostrando cada um à medida que forem implementados.

    Configurar o gateway no Linux

    Estive preso com um problema de configuração do LAMP server – conseguia conectar-me às interfaces web através da rede interna, mas não pelo exterior (ou domínio), usando o NAT do router para encaminhar correctamente. Na própria máquina, conseguia pingar a endereços internos mas não a externos. O problema? Ao mudar de um endereço IP dinâmico (DCHP) para um estático, o gateway não ficou definido. Confirmo na lista dada pelo comando “route”, que o gateway não existe. A solução?

    route add default gw 192.168.0.1 eth0

    ou seja, adicionei o endereço do router como default gateway à lista de rotas para a placa de rede eth0.

    Alguma ajuda daqui: http://serverfault.com/questions/65206/fowarding-http-to-lamp-server-through-router-nat
    e daqui: http://www.linuxhomenetworking.com/wiki/index.php/Quick_HOWTO_:_Ch03_:_Linux_Networking

    Arrancar servidores sem teclado

    A maioria das boards, no arranque, exigem por defeito que haja um teclado ligado á porta PS2 ou USB. Mas há situações, especialmente em servidores montados num rack, onde não faz sentido haver teclado ligado fisicamente e permanentemente. A gestão é geralmente feito remotamente.

    Ao arrancar um PC ou servidor sem o teclado, aparece a habitual mensagem (com uma certa ironia na mesma) do “No keyboard detected – press F1 to continue”. Na verdade, a verificação da existência do teclado é um dos passos executados no arranque e que levanta um erro, tal como as falhas de discos entre outras. no entanto na configuração da BIOS, há geralmente uma ou outra mensagem que permite contornar a paragem.

    Nalguns, a opção está na opção “Halt on”, que indica sobre que erros deve parar o arranque. Opções por defeito são All (para sobre qualquer erro), mas há também o “none”, “all but keyboard”, “all but disk”, “all but disk/keyboard”. Estas são as que encontrei numa board (ASUS A7V8X para AMD).

    Mas a opção “Halt on” não é única. Há semelhantes. Para um Asus P5Q-E, a opção refere “Press F1 on Errors”, que deve ser desabilitado. Certamente com boards e versões de BIOS diferentes, os nomes mudarão mas a intenção é a mesma – saltar por cima do erro.

    Ubuntu, revisited

    Este site tem sido alojado nos últimos 4 anos num serviço prestado pela HostingPortugal. Não tenho razão especial de queixa, que não tem havido qualquer conflito. A única coisa que não gosto é do uso do Helm, como gestor de conta, mas dado que tinha escolhido uma conta Windows (para servir ASP.NET), não tive como fugir a ele. Versões mais recentes do painel parecem interessantes, mas mesmo assim deixa a desejar. Estou demasiado habituado a usar a interface do Windows Server para gerir, que aquilo acaba por saber a pouco. Também sou um “control freak” e por isso sinto a limitação.

    Decidi então alojar localmente a minha página. Sei que há alguns riscos inerentes à mudança, e mesmo de capacidade de servir (com o volume de tráfego que tenho, não deve ser problemático). Estou a reabilitar uma máquina para servir esta função. Tenho um servidor Windows activo internamente, mas não quero que seja o web-server, pelo menos para já. Gostava de ter o webserver numa máquina separada, e neste caso, visto que a página actual é puramente PHP, vou experimentar um LAMP server, com base no Ubunto Server. Mais tarde, se não ficar satisfeito, sigo o caminho do Windows Server, mas é pouco provável.

    Como é habitual quando inicio uma instalação no Linux, tendo a visitar um post antigo: Instalação de Ubuntu Server 8.10. Tem sido um guia base para introduzir um GUI nas edições de servidor, e que fica leve. Não é que a panóplia de aplicações presentes no Gnome ou KDE não sejam interessantes, mas não necessito de quase nada daquilo, e é escusado ocupar o espaço. O comando base usado foi:

    sudo apt-get install xorg xfce4 gdm synaptic firefox ntfs-config thunar-volman

    Neste caso adicionei o gdm para ter o login do gnome e permitir que algumas aplicações como o synaptic aparecessem correctamente nos menus. Também, adicionei 3 itens mencionados no blog Disambiguation, que são:

    # xfce4-goodies (alguns add-ons uteis ao xfce)
    # xfce4-mcs-plugins-extra (permite adicionar aplicações ao arranque)
    # xfce4-taskmanager (permite ver as aplicações em execução, como no windows)

    De seguida, para uma administração remota e web do servidor, instalei o Webmin, seguindo os passos em ubuntugeek.com:


    $ sudo aptitude install perl libnet-ssleay-perl openssl libauthen-pam-perl libpam-runtime libio-pty-perl libmd5-perl

    $ wget http://garr.dl.sourceforge.net/sourceforge/webadmin/webmin_1.441_all.deb

    $ sudo dpkg -i webmin_1.441_all.deb

    O Webmin tem uma série de opções bastante interessantes, com a administração do server, das opções de rede na mesma (através da qual fixei o IP de rede interna do server), das diversas bases de dados, backups e cron jobs, até tem uma interface para a shell (se bem q uma ligação por SSH será mais eficiente, mas é bom, mesmo assim). Na verdade, com o Webmin, o desktop é praticamente desnecessário, nesta aplicação. Se realmente não for, eliminarei o passo numa futura instalação para este fim.

    Agora resta transferir a instalação do WordPress para o server, e mapear o DNS e NAT como deve ser para apontar correctamente ao servidor LAMP.

    ACTUALIZAÇÃO:
    porque a estrutura de endereços no sourceforge sofreu uma alteração (penso eu), o endereço no comando wget é diferente. deve então experimentar:

    wget http://switch.dl.sourceforge.net/sourceforge/webadmin/webmin/1.500/webmin_1.500_all.deb

    ou ainda

    wget http://dourceforge.net/projects/webadmin(files/webmin/1.500/webmin_1.500_all.deb/download

    21ª edição da Revista Programar

    Foi lançado ontem a 21ª edição da Revista Programar – a revista da comunidade Portugal-a-Programar.org. Tive o prazer de contribuir com um artigo sobre Templates T4, em que faço a apresentação de o que são, como funciona e como pode ser aproveitado para criar um gerador de código.

    Os artigos da edição são:

  • Construção de Diagramas de Blocos
  • Acesso de BDs remotas em Windows Mobile 6
  • Lua – Linguagem de Programação – Parte I
  • Templates T4
  • A ver!

    http://www.portugal-a-programar.org/revista-programar/edicoes/download21_site.php