Fotografar Casamentos… (parte 2)

Continuando do post anterior segue a segunda parte com mais algumas lições aprendidas no casamento de sábado:

Tem sempre um cartão com espaço suficiente (ou vazio!)

Uma asneira em que caí foi no momento do corte do bolo, ter tido o cartão já usado na máquina, em vez de uma fresca. Na abertura do champange, o cartão ficou cheio, e tive que o trocar à pressa (felizmente tinha-o à mão), mas mesmo assim perdi o momento do virar da champange para os copos (importante, teoricamente, em termos de toda a formalidade que uma boda de casamento tem). Portanto fiquei com a garrafa a abrir e os copos cheios…

Composição "in camera"?

Algo a ter sempre em atenção é que as imagens poderão (ou irão mesmo) para um álbum, que hoje em dia é geralmente produzido digitalmente. E como tal, as imagens não serão impressas uma a uma, mas numa composição que não segue naturalmente o formato de imagem. Como tal é necessário manter na mente que poderá haver necessidade de produzir crops e convém por isso manter algum espaço à volta das imagens. Eu esqueci-me um pouco disso e fiz os enquadramentos que desejava, com um corte mais forte.

Na igreja, apróxima-te

Para a igreja, melhor que uma tela será certamente a zoom normal. Na igreja, no momento do casamento / troca de alianças, é muito importante aproximar para captar melhor a acção da troca de aliança. De longe, a imagem é demasiado frontal e as mãos dos noivos tapam o detalhe da aliança.

Convidados em ambiente não obstrusivo

Uma das partes que mais me irritou foi a sessão com os convidados. Para já, as imagens são sempre a mesma foleirada a que dificilmente se foge – grupo posado em pé com os noivos. É sempre o mesma coisa – chamar o seguinte, pose, dispara um ou dois (para garantir uns olhos abertos entre outros detalhes) e "próximo!". Para dificultar mais, o raio do restaurante não tinha um jardim fantástico nem um ponto bonito para realmente efectuar as fotos. Tive que me ficar pelo arboredo assim-assim.

Claro, para piorar as coisas, o pessoal do restaurante lembrou-se que tinham de por uma mesa de buffet MESMO à minha frente, num espaço que já era difícil de trabalhar. E com a mesa vem as pessoas e o caos. E aquele era practicamente o único sítio onde o arboredo conseguia criar um fundo completo, sem ver as casas do outro lado da rua… Bem, um jeito para o lado até resolveu.

Pelos vistos a composição vertical é o mais comum para este conjunto de imagens, especialmente quando são 4ou 6 pessoas na imagem. Eu preferi as horizontais na maioria (preenchia melhor na minha opinião), mas o ângulo lateral também consegue por vezes captar aquilo que não se quer, que é pessoal na mesa lá ao fundo…. Fear not the spacey verticals!

Trabalho de equipa não obstrusivo

Trabalho de equipa é importante, mas mais importante é que ninguém impeça o trabalho dos restantes. Éramos uma equipa de três – um videógrafo (o mais experiente do grupo e que comandava as operações) e dois fotografos. O meu papel era como fotografo principal, e o terceiro elemento estaria dedicado apenas a captar imagens dos convidados para impressão. Problema – não ficou apenas com essa tarefa, mas esteve também a captar imagens em todas as sessões. Resultado – uma confusão de olhares da parte dos noivos (sempre a olhar para um e depois outro…).

Mais, um dos problemas frequentes que tive foi, com o trabalho de tele, ter o videógrafo á minha frente, constantemente. Nada bom, especialmente quando estás com uma tele. E quando sai de frente é porque deixou de filmar e os noivos retiraram-se da pose…

Evita a sessão nocturna com os noivos e não sejas herói

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Lol, esta foi complicada. Por via de alguns atrásos pós missa, a chegada ao restaurante foi algo demorado, e a dona do restaurante já tava muito mal humorada, especialmente quando indicamos que queríamos ainda levar os noivos a fazer a sessão juntos antes de começar a boda.Não foi possivel e não conseguimos adiar para outra data – portanto foi pós boda – fim de tarde / inicio da noite. Problema evidente – luz. Problema menos evidente – o vinho da boda.

O spot que escolhemos era muito giro – a quinta do noivo, mas tinha naturalmente o problema da iluminação. Tentei evitar as flashadas directas e nocturnas que são sabia o quão mau iam ser, e meti o flash com célula num tripé, tentando criar um gênero de borboleta e utilizaria o flash na máquina para preencher. Problema – acertar exposições não é fácil, guiando apenas pelo LCD e tendo que correr para trás e para a frente. Resultado – quando conseguia acertar a exposição, perdia a pose… e sem a luz, já de noite.. ouch. Grande herói, hein?

Conclusão

Naturalmente a maioria das conclusões tiradas poderão ser consideradas discutíveis. Mas espero que alguém que esteja para arrancar neste tipo de imagem possa aceitar esta análise e preparar-se melhor para a sessão…

Fotografar casamentos… (parte 1)

O sábado foi o meu primeiro casamento – uma experiência que nunca tive, nem tinha grande vontade de ter, mas que tendo surgido, aceitei. Verdade seja dita, não é um tipo de fotografia que se insere num estilo que gosto. Gosto de produzir imagens, de compor tudo ao meu gosto, e não tanto trabalhar com o momento ou com o que há. Prefiro criar mais que reagir.

Mas como em tudo, há muitas lições a tirar. E como servem de dicas para mim, pode ser que sirvam para alguém mais:

JPEGS

Considero que os JPEGs são o formato ideal neste tipo de evento. É discutível, eu sei, mas o RAW é overkill. Durante o casamento fiz cerca de 7Gb de fotos, em jpeg, numa 5D de 12Mp – imagina se tivesse usado RAWS! Andei com uma serie de cartões de 1GB e 2GB, sendo que usei de 1GB em casa de cada um do casal. Deu para encher ou quase. Com RAWS, teria um terço do espaço a uso, e tendo em conta o tempo disponível (1 hora, aproximadamente em cada casa e directos para a missa) nunca teria tempo para descarregar as imagens e livrar o cartão (não tenho um disco com leitor de cartões).

Apesar de tudo, há um momento pelo menos em que disparar RAWs poderá fazer sentido – a sessão com os noivos já casados. No meu caso teria dado jeito porque a sessão foi já no final do dia (após a cerimónia) pelo que o escurecimento obrigou a usar flash(es) e a rapidez com que decorreu a sessão não deu para fixar completamente as exposições pelo que exigia pós produção. O RAW para essa pós produção é ideal, naturalmente.

De qualquer forma o JPEG é suficientemente permissivo, na edição. Não é perfeito e há perdas, mas enfim…

(AUTO) WHITE BALANCE

Ao longo do dia, a grande maioria das imagens são feitas em interiores – a casa do noivo e da noiva, a igreja, a boda… Interiores que não são estúdios significa condições de luz complexas. Muitas fontes de luz de temperatura de cor diferente, paredes coloridas que provocam colorização, uso de lâmpadas "economizadoras" que não são bem bem daylight… enfim.. um caos de cores de luz.

Nestas situações há duas formas de seguir – o primeiro é usar uma leitura manual de luz. fotografar algo branco (cartões, papel, etc) e usar a imagem como referência de branco. E funciona relativamente bem, mas exige alterações sempre que a luz mudar (e estamos com JPEGS e não RAWs).

A outra hipotese é usar o auto white balance e deixar que a máquina resolva o problema dos brancos, corrigindo a cor para o tom mais predominante. Assim, quando as condições variam um pouco, a máquina fica responsável para ajustar o branco, e , verdade seja dita, as máquinas já andam bastante avançadas a esse nível e corrigem bastante bem.

Eu, no entanto durante a grande parte da fase inicial do casamento tinha os brancos calibrados para flash, que não usei muito (mas que serve bem para daylight. E com paredes beiges e e janelas abertas e luzes acessas, deu um misto de tons que vão dar um pouco de trabalho a ajustar. Imagino como era com película….

Escolha de lentes

Usei durante a sessão uma 17-35, f2.8; 50mm f1.4; e uma 70-200 f2.8 IS. A máquina é full frame. Uma 28-70 f2.8 teria sido mais que óptimo e poucas vezes saíria da máquina certamente. Mas há situações bastante complicadas, e se a máquina tiver factor crop, deve então complicar mesmo muito! O médio formato nestas situações deveriam ser extremamente vantajosas, permitindo captar um corpo inteiro numa sala pequena mais facilmente, sem ter de recorrer às grandes angulares.

Acabei por usar principalmente a grande angular e a tele. A grande angular nos 17mm e full frame, são muito giros, dando o toque jornalístico comum a alguns fotógrafos. Criam algum dinamismo e tensão por si só. E também geram um certo efeito de encaminhamento do olhar para o centro também bastante funcional. Tentei usar nalgumas situações para dar um toque diferente. Não sei se a escolha foi a melhor (talvez não) mas na altura pareceu-me bem (ou então o único caminho a seguir devido ao pouco espaço existente).

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Por hoje é tudo.. mas eu continuarei com a parte dois amanhã ou além.