pós – Carnaval

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Pós-Carnaval significa de edição de imagem.. hehehe (e recuperação..)

O Carnaval deste ano foi interessante e diferente. A diferença veio pelo trabalho feito, desta vez uma reportagem dos Carnavais principais da zona (Murtosa, Ovar e Estarreja) com a SFM. O trabalho da reportagem está quase completo. Séra apresentado num slideshow em Flash com som. Alias passei os últimos dois ou 3 dias colado ao Flash a programar, mas acho que tá um componente engraçado e reutilizável. A inspiração veio em muito de trabalhos como os da Mediastorm.org ou mesmo os Soundslides. Mais um dia ou dois e o trabalho será anunciado quer aqui (com o link) quer na radio.

De qualquer forma, O Carnaval este ano foi muito bom. Normalmente não é uma festa que me motiva imenso, mas depois do que vi por Ovar… que loucura! Aquela segunda feira à noite foi demais! as 6k pessoas na tenda da TentZone, 2 a 3 vezes isso (ou mais até talvez) na praça das Galinhas, os 5 minutos necessários para atravessar a viela da praça até ao Pedras… nunca vi nada assim! Era como se toda a gente no S.Paio estivesse apenas enfiado apenas na Praça da Varina 😛

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Outra coisa que achei piada foi a receptividade do pessoal de Ovar à fotografia 😀 Grande parte das vezes (aconteceu muito em Estarreja), em vez de ouvir um “não, não, não…” tinha pessoal a pedir para lhes fotografar! Isso é muito bom e facilita a vida. Só tenho pena que não consegui convencer as duas moças que se beijaram para a foto (em jeito de brincadeira) a darem de língua 😛 Seria, sem duvida, a foto da noite por mais mal que estivesse (pelo menos pra mim). Para quem quer viver o Carnaval, aquela segunda à noite em Ovar é a sua essência!!!

Na Murtosa teve-se bem, como sempre. O Carnaval dos miúdos e graúdos foi divertido. Acho que até batemos um recorde de participantes (2200+ – corrigem-me se estiver errado). O desfile quase que ficou estoirado com a chuva, mas foi só susto. Nas tasquinhas teve-se muita bem, como sempre, e as festas entre amigos são sempre divertidas. A animação e bem estar por cá não faltam.

Já Estarreja não me convenceu. Não vi os desfiles principais, por isso disso não posso falar. Na primeira noite das marchas eu estava à espera de mais. Foi engraçado, mas esperava mais produção. Sempre me lembro de colegas meus falarem-me das marchas como “fantásticas” e do melhor, e se calhar as minhas expectativas estavam em alta. Havia grupos muito bem conseguidos, mas mesmo assim soube a pouco. Para além disso, só vi a festa da Tomázia. Relativamente a isso, fica um poste anterior sobre “criação de ambientes”… E não, não vi a Floribella.. hehe

Fotograficamente, foi uma experiência diferente também. Reportagem não é o meu forte.. aliás.. deve ser o meu ponto mais fraco. É demasiado “correr atrás de”. Isso e o pouco controlo dos elementos (personas, luz, composição, cenário) que prefiro. Mesmo assim, acho que consegui sacar qualquer coisa minimamente decente. Brinquei bastante com slow-sinc. Aliás fotografei quase sempre a 1/10s, mais stop, menos stop. Muito arrastamento. Sempre ajuda a criar movimento, mas nem sempre resulta. Foi um risco. Quando virem as fotos entenderão 😉

iluminando a caixa de grinds

Tiago - nosegrind_450

Uma das tarefas mais importantes e mais complexas de fotografar skate é a iluminação. Aliás, não é só no skate mas sim em qualquer género de fotografia. Em qualquer género, é o elemento que muitas vezes faz a diferença entre uma imagem ordinária e uma que brilhe. Este domingo na Gaf, foi uma muito boa oportunidade para experimentar alguns esquemas e treinar a técnica. Tal como para o skate, o skatepark é um óptimo espaço de treino fotográfico dado o nível de controlo que se pode ter, especialmente quando há poucas pessoas. No street, geralmente não há tanto tempo para pensar.

Tal como mencionei no post anterior, é muito incomum utilizar as distâncias focais normais para o skate. Mais, detesto fotografar o pessoal de costas. Tem a haver com a abordagem que tenho a imagem de skate – mais que retratar a manobra, sinto que estou a retratar a pessoa. E como tal, prefiro ver e mostrar a cara, para que se saiba de imediato quem está a dar a manobra. Além do mais, o publico alvo não tem muito interesse em ver “man ass”…

Esta imagem apresentou dois problemas à partida – a primeira era a composição. Para o frontside nosegrind, quer do Tiago, quer do Diogo, esta foi o único ângulo que encontrei em que podia lhes mostrar de forma reconhecível, sem destruir visualmente o obstáculo. Ainda experimentei ver com a fisheye e a lente normal como seria o ponto de vista horizontal (para aproveitar o céu fantástico), mas a composição ficava horrível. Deste ângulo mostro bem a manobra, o skater, o obstáculo e o ambiente.

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O próximo passo é atacar a iluminação (podem ver na imagem em cima). Escolhi uma abertura maior (f5.6) para poder (1) reduzir a profundidade de focagem, de modo a tentar obter um pequeno plano focado (2) baixar um pouco a potência dos flashes para uma recuperação rápida tendo em conta o desgaste das pilhas ao trabalhar noutras imagens e (3) para poder afastá-los mais da cena. A exposição do flash é controlada pela abertura e não pela velocidade, e com uma abertura maior, posso jogar bem com o zoom e com a distância. A minha luz chave é a da direita, exposta para dar f5.6 na frente do skater, e o flash da esquerda efectua a acentuação e o recorte, e está um pouco mais potente. Os flashes estão em posições opostas – o chamado “cross-lighting”. cria uma boa modelação do corpo, com a zona central ligeiramente escurecida, e com sombras suficientes para tornar a imagem algo dramática. Funciona bem. Restou então ajustar a velocidade para capturar o ambiente/céu. o resto do cenário está praticamente em silhueta, mas o que interessava-me captar era o céu. 1/350s foi o valor encontrado – ligeiramente subexposto mas que permitiu salientar as cores do céu do fim do dia.

No inicio do post está o resultado do processo – um dos excelentes nosegrinds do Tiago “Brasileiro” no picanso com o Diogo na Gafanha da Nazaré

Distâncias focais

Diogo Teixeira - Nosegrind

Não é muito comum eu utilizar uma distância focal “normal” (entre os 35 e a tele) quando estou a fotografar skate. Desde que orientei a fisheye, de certa forma “colei-me” a ela. Em skate, é mesmo muito útil, e para muitas situações é quase norma usar. Com costumo dizer, a lente permite acentuar a manobra de skate – o skater parece mais rápido, o obstáculo mais longo e mais alto, a distorção acentua o movimento e o dramatismo, e a curta distância focal aumenta a sensação de profundidade – é um expoente máximo de “in your face”. Acho que a imagem do lipslide do Diogo Teixeira no post anterior é uma boa demonstração disso.

Mas a fisheye não é a única lente a utilizar. Distâncias focais normais e especialmente as teleobjectivas são comuns, e o efeito é complementar – linhas normais (horizontais e verticais) para uma imagem mais calma e relaxada, compressão da profundidade de campo fazendo os obstáculos parecerem reais em forma e dimensão, curta profundidade de focagem (para aberturas maiores) exigindo uma focagem mais precisa e que ajuda a salientar o skater, e um ponto de vista de observador, mais distante.

No fim de semana experimentei usar as focais normais para algumas imagens onde normalmente utilizaria a fisheye. A composição é mais complexa que com a fisheye. Com a fisheye (ou uma grande angular no geral), a grande preocupação são os objectos do primeiro plano e a forma como aparecem – elementos completos na imagem e as linhas e formas criadas pelos objectos do primeiro plano. Tudo o resto é fundo e geralmente não interfere. Já com as tele, a compressão dos planos faz com que todas as formas estejam evidentes e próximas (focadas ou não). O plano principal fica composto com mais elementos. Escolher o que fica e o que sai exige muita atenção do fotografo. Outra preocupação que tenho é das verticais serem verticais; Pontos de vista baixos ou muito altos tornam as verticais convergentes. Uma altura intermédia e o plano do sensor paralelo ao obstáculo garantem verticais correctas (há de ser interessante aplicar os movimentos da view camera nestas situações). Como sempre é uma decisão de compromisso.

Há mais um detalhe importante a ter em conta ao usar teles – iluminação. E é nesta situação que os comandos por rádio são um “must”. Com uma tele nas digitais, facilmente ficas a mais de 10-15m de distância da acção e dos flashes. Cabos nesta situação e a preocupação do “line of sight” dos sensores ópticos só atrapalham. Com radio, a liberdade de movimento é total e não há risco de terceiros interromperem uma ligação acidentalmente, nem ninguém disparar os teus flashes.

Creio que esta imagem é uma boa demonstração disso. Um frontside nosegrind relaxado na caixa de grinds curva do skatepark da Gafanha da Nazaré.

Diogo Teixeira – Lipslide

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Ontem, nem tudo correu como planeado, mas não deixou de ser muito bom. Inicialmente tinha combinado ir para a Maia com o Diogo, pra skatar e fotografar uns toques dele no street nortenho. Mas infelizmente no sábado e domingo de manhã, o tempo estava muito estranho e não arriscamos. Portanto ficou combinado ir até à GAF skatar lá no parque.

Verdade seja dita, ja não ia àquele skatepark há já bastante tempo.. talvez meio ano,talvez mais. Sabe sempre bem voltar para desenferrujar. O parque continua a ser um óptimo parque, mas já se nota a necessidade de manutenção. Há algumas placas com buracos (especialmente nas quinas da pirâmides) e o desgaste da madeira nalgumas partes da minirampa. São uma dúzia de placas q tem de ser mudadas ao todo, mas nada que impéça a skatada.

Lá fui eu e o Sebolinha (que ainda não tinha lá ido) estrada fora pra skatar. Quando lá chegamos já estava um grupo porreiro a skatar… pessoal que eu já não via há muito tempo e que deu para notar a evolução. O Elson continua com os toques potentes de nollie, o Tiago “brasileiro” com boa técnica, os “putos” e novos membros da team da Blast Boardshop com segurança nos obstáculos grandes, o “Casal” com boa evolução na mini-rampa… tempo passa pessoal evolui.

Bem, já que não pude sacar as imagens na Maia, saquei-as na GAF. Tive a testar os triggers por radio para os flashes compactos ao mesmo tempo. Funcionam bem, apenas um deles tem alguns problemas a disparar.. de vez em quando falha, se saber bem porque (ainda).mas realmnete, por rádio é tudo muito mais simples e eficiente – nada de cabos, nada de line of site. E a possibilidade de usar a teleobjectiva e efeitos de compresão.

E por falar em teleobjectiva, ontem experimentei tirar algumas imagens sem a fisheye. Confesso que a fisheye é grande vicio para o skate. É muito natural o seu uso pelas vantagens q trás – próximidade, distorção positiva, sensação de dimensão e grandeza, etc… Mas a teleobjectiva é sem duvida muito util e capaz de mostrar outro lado… depois mostro.

Por agora fica o lipslide do Diogo…